Ernesto conta que esse problema do convênio vem tentando ser resolvido, no caso dele, em favor da categoria dos agentes de segurança penitenciários. Segundo ele, o primeiro contato com as unidades do Iamspe de Ribeirão e Araraquara foi verbal e a resposta foi que estavam para reativar o atendimento na Beneficência em Araraquara, pois em Ribeirão eles ainda estavam atendendo, mas observaram que a situação só piorou. “Diante disso, entramos com pedido por meio de ofício que foi feito no dia 26 fevereiro, onde questionávamos mais uma vez a razão da falta de atendimento”.
A resposta do Iamspe veio no dia 16 de março e dizia que estavam para reativar o convênio com alguns dos hospitais justificando que de cinco em cinco anos é necessário que seja feita a revisão do contrato e que não houve interesse das partes em renovar os contratos.
Objetivo
Ernesto ressalta que o objetivo é saber aonde vai o dinheiro, pois pagam e não têm direito a nada. “Se quiserem uma consulta rápida têm que recorrer ao UPA, mas os valores do convênio continuam sendo descontados assiduamente e a única forma encontrada para tentar reverter essa situação foi por meio judicial, pois foi tentada todas as esferas que pede o processo administrativo, ou seja, contato verbal, ofício e agora via judicial”.
Controvérsias
Mas de acordo com o diretor administrativo, há controvérsias em relação a essa resposta, pois segundo informações dos próprios médicos, existem duas questões importantes: uma delas seria a tabela do Iamspe que alguns reclamam do valor e a outra questão seria a demora no recebimento do repasse da verba. “Com isso, o problema não seria dos hospitais, mas do Iamspe, pois o dinheiro é descontado do nosso salário bruto, cerca de 2%de cada funcionário. Imagina o quanto o Iamspe não arrecada e o que faz com esse dinheiro?, pois esse problema não é só nosso, mas praticamente de todo estado de São Paulo. O Santa Ligia, por exemplo, atende em Ribeirão Preto, mas dizem que é pior do que o SUS, pois você fica no mínimo doze horas para ter uma consulta médica quando tem. Na maioria das vezes, o próprio médico não tem interesse em atender devido as duas questões já citadas”.
Ernesto cita a ele mesmo como exemplo, pois necessita fazer uma cirurgia no joelho e o tratamento está sendo feito em Presidente Prudente a quase 500 quilômetros de Araraquara e quando consegue algum tipo de atendimento em São Paulo, espera no mínimo de 3 a 4 meses para marcar uma consulta com especialistas.
Ação civil pública
Com toda essa dificuldade, para tentar buscar uma solução para a categoria, o sindppesp entrou com uma ação civil pública no Fórum em Ribeirão Preto. “Vamos esperar pela Justiça para ver o que vai ser decidido, mas queremos deixar bem claro que não queremos o cancelamento do convênio médico, mas sim uma solução nem que for com o Iamspe ou outro tipo de convênio, enfim o que o estado pode fazer, pois recebe nosso dinheiro”, diz acrescentando que estão buscando uma resposta para a categoria para tentar melhorar a situação. “Hoje você está bom, amanhã você não sabe. Por conta disso, muitos agentes têm pago planos de saúde paralelo devido a essa problemática do Iamspe que a cada ano vem piorando e queremos saber o que está acontecendo e no que podemos ajudar para tentar reverter essa situação. Não é somente uma crítica, mas um apoio também que a gente pretende para ajudar no que for preciso, se vai precisar aumentar o desconto, pois não temos condições nenhuma de continuar dessa forma”.
Fonte: Jornal “O Imparcial”, de Araraquara